O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) manifesta profunda preocupação com os resultados do ENAMED 2025 (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgados oficialmente pelo Ministério da Educação.
Os dados revelam um cenário inaceitável para um país que precisa de médicos bem formados e de um sistema de saúde seguro e resolutivo: mais de 30% dos cursos avaliados tiveram desempenho insatisfatório — com conceito 1 ou 2 — o que evidencia uma crise concreta de qualidade na formação médica.
Mais grave ainda: segundo o Conselho Federal de Medicina, 13.871 estudantes concluintes estão se formando em escolas com conceitos 1 e 2 , isto é, abaixo da nota mínima aceitável pelo próprio padrão do MEC.
Impacto direto para a população
Quando a formação é frágil, o efeito não fica restrito à sala de aula — ele chega ao consultório, à urgência e ao hospital. Isso pode significar:
* diagnósticos tardios ou errados;
* aumento de complicações evitáveis;
* condutas inseguras e desperdício de recursos;
* risco ampliado de eventos adversos;
* queda na confiança da população no atendimento médico.
A sociedade paga o preço quando a formação médica não tem padrão mínimo garantido.
Abertura indiscriminada de escolas médicas: o problema tem origem
O CRM-MA reforça que esses resultados não são “acaso”: eles refletem anos de expansão desordenada de cursos de Medicina, muitas vezes sem estrutura hospitalar adequada, sem rede de prática suficiente, sem docentes qualificados e sem campo de estágio compatível com o número crescente de vagas.
E é necessário destacar, com clareza e responsabilidade institucional: o Ministério da Educação (MEC) tem papel central e responsabilidade direta nesse processo , ao permitir — por ação ou omissão regulatória — a abertura e ampliação de cursos e vagas sem o devido rigor técnico na exigência de infraestrutura, corpo docente, campos de prática e garantia real de qualidade de ensino.
Esse cenário também tem sido agravado por ingerência política em decisões estratégicas que deveriam ser essencialmente técnicas e orientadas pela responsabilidade com a saúde pública.
Além disso, cresce a influência de grandes conglomerados de educação, que passaram a enxergar o curso de Medicina como um empreendimento de alto retorno financeiro , tratando a formação médica como produto e fonte de lucro, muitas vezes priorizando volume de vagas e captação de mensalidades, em detrimento de pilares essenciais: professores qualificados, campos de prática suficientes, hospitais de ensino, rede assistencial estruturada e supervisão adequada.
Quando a lógica do lucro, a conveniência política e a fragilidade regulatória se sobrepõem à responsabilidade educacional, o resultado é previsível: formação fragilizada e risco real para a segurança do paciente.
A solução necessária: Exame Nacional de Proficiência
Diante desse cenário, reafirmamos a necessidade urgente e imperiosa da implantação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, a ser realizado sob coordenação do Conselho Federal de Medicina, como medida de proteção à população e de valorização dos bons cursos e dos estudantes que se dedicam seriamente.
Não se trata de punição ao jovem médico: trata-se de defesa da vida, da segurança assistencial e do padrão mínimo para o exercício profissional.
📌 O CRM-MA seguirá atuando com firmeza em defesa da boa Medicina, da qualidade da formação e da segurança do paciente.
