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Neste 03 de fevereiro, a Medicina é convidada a fazer uma pausa para reconhecer uma conquista que ultrapassa datas comemorativas: a presença plena e transformadora da mulher na profissão médica. Este dia remete à trajetória singular de Elizabeth Blackwell, que, em 1849, após ser recusada por dez universidades nos Estados Unidos, rompeu uma das mais sólidas barreiras de seu tempo ao ser aceita pela Geneva Medical College, onde se graduou médica. Sua vitória não foi apenas individual; representou a abertura de um caminho histórico que permitiu às mulheres ingressarem, permanecerem e se afirmarem na Medicina, mesmo diante de resistências institucionais, sociais e culturais profundas.

O tempo confirmou os acertos desse pioneirismo. Hoje, em diversos países — inclusive no Brasil — as mulheres já constituem a maioria dos médicos em atividade. Estão presentes em todas as especialidades, nos serviços públicos e privados, na assistência direta à população, no ensino, na pesquisa científica, na gestão de serviços de saúde e na liderança institucional. Essa presença crescente não se resume a um dado estatístico; ela traduz uma mudança estrutural no perfil da Medicina contemporânea e na forma como o cuidado em saúde é concebido e praticado.

Entretanto, esse avanço não ocorreu — nem ocorre — sem desafios significativos. Muitas mulheres médicas ainda enfrentam a realidade extenuante das múltiplas jornadas, conciliando o exercício profissional com responsabilidades familiares e domésticas que, de forma desigual, continuam a recair sobre elas. Persistem, ainda, situações inaceitáveis de assédio moral e sexual, discriminação salarial, dificuldades de progressão na carreira e preconceitos explícitos ou velados, inclusive em ambientes que deveriam ser orientados pelo respeito, pela ética e pela valorização do mérito.

Reconhecer essas dificuldades não é apenas um ato de sensibilidade, mas um compromisso institucional. Cabe aos Conselhos de Medicina, às entidades de classe e à sociedade como um todo defender condições de trabalho dignas, igualdade de oportunidades, ambientes profissionais seguros e o respeito integral à mulher médica. A Medicina não pode tolerar práticas que atentem contra a dignidade de quem a exerce, sob pena de comprometer seus próprios valores fundantes.

Ao mesmo tempo, é inegável que a maior presença feminina tem contribuído de forma decisiva para o aprimoramento da prática médica. A experiência cotidiana e a produção científica apontam para uma atuação frequentemente marcada por maior atenção à escuta, ao cuidado centrado no paciente, à empatia, ao trabalho em equipe e à compreensão integral do ser humano. Não se trata de estabelecer contraposições, mas de reconhecer que a diversidade fortalece a Medicina e amplia sua capacidade de cuidar com qualidade e humanidade.

Neste Dia Internacional da Mulher Médica, rendemos homenagem a todas aquelas que, com competência, sensibilidade e firmeza, constroem diariamente a Medicina. Que o legado de Elizabeth Blackwell siga inspirando novas gerações e que possamos avançar, de forma concreta, rumo a uma Medicina mais justa, igualitária e humana.

Às mulheres médicas, nosso respeito, nossa admiração e nosso compromisso permanente.

José Albuquerque de Figueiredo Neto
Presidente do Conselho Regional de Medicina

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