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As notícias de médicos e outros profissionais de saúde agredidos dentro de UPAs, hospitais e pronto-socorros tornaram-se frequentes demais para serem tratadas como fatos isolados.

Em 2024, segundo levantamento divulgado pelo CFM, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência envolvendo violência contra médicos em estabelecimentos de saúde. Cerca de 12 casos por dia.

Há algo particularmente injusto nisso.

O médico que está na emergência acaba sendo, muitas vezes, a face visível de problemas que não criou e que não tem como resolver sozinho: falta de leitos, demora nos exames, equipes insuficientes, superlotação.

A angústia de quem espera atendimento é compreensível. A violência, não.

E as consequências não terminam quando acaba a agressão. Ficam o medo, a ansiedade, a insegurança e, algumas vezes, a decisão de deixar aquele plantão ou aquela unidade.

Então o problema passa a ser de todos.

Porque um serviço onde os profissionais têm medo de trabalhar acaba tendo dificuldade para manter suas equipes. E quem também perde é a população.

A Resolução CFM nº 2.444/2025 estabeleceu medidas importantes de segurança para os estabelecimentos de saúde. Elas precisam sair do papel.

Mas precisamos fazer mais: melhorar a segurança, organizar os serviços, reduzir a superlotação, melhorar a comunicação com pacientes e familiares e oferecer condições dignas para quem procura atendimento e para quem trabalha.

Proteger o médico não é apenas defender uma categoria.

É proteger as equipes, os pacientes e o próprio funcionamento do sistema de saúde.

A medicina sempre terá momentos difíceis. Faz parte da profissão lidar com sofrimento, urgências e decisões complexas.

A violência, não.

Não podemos esperar pela próxima agressão para agir.

José Albuquerque de Figueiredo Neto

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